Conversas vazadas surpreendem zero pessoas

No dia 4 de Março de 2024, os pesquisadores e jornalistas da Environmental Progress vazaram diversos arquivos da ONG WPATH. A WPATH é a “Associação Profissional Mundial para a Saúde Transgênero” e advoga sobretudo para que as pessoas que alegam ser do sexo oposto, ou alegam não pertencer ao próprio sexo, tenham direito a tratamentos. A ONG identifica essas pessoas como “transgêneros”, embora o tratamento médico (como hormonização e cirurgias plásticas) tenha caráter sexual.

A WPATH influencia diversos grupos, como a Sociedade de Endocrinologia, a Associação Americana de Psiquiatria, a RC Psych (UK), a Academia Americana de Pediatria, entre outros. Seu presidente é Mark Bowers, um famoso cirurgião e ginecologista que se apresenta como Marci Bowers. Talvez você já tenha ouvido falar dele, Bowers foi o médico que operou Jaron Bloshinsky (Jazz Jennings, do programa “A Vida de Jazz”) quando Bloshinksy ainda era menor de idade.   

O conteúdo dos arquivos vazados comprova o que estamos falando desde os anos 1970: não só os renomados profissionais da área não têm muita idéia do que estão fazendo como também estão promovendo experiências com as pessoas, usando-as de cobaias. Os arquivos mostram ainda que vários dos pacientes — ou “clientes”, como os profissionais os chamam diversas vezes nos arquivos — apresentam doenças mentais e/ou são menores de idade.   

A WPATH esteve no Brasil em 2017 para promover suas idéias, e trabalhou com ativistas que conhecemos bem, como o ex-candidato a deputado federal Vitor Zaparoli Borgheresi, que se apresenta como Amanda Palha, o ativista Douglas Takeshi Simakawa, economista que se apresenta como Viviane Vergueiro e Jaques Gomes de Jesus, psicólogo que se apresenta como Jaqueline, e foi uma das pessoas que dirigiu o evento.

Após o evento deu-se a criação da Associação Brasileira Profissional para a Saúde Trans e Travesti (BRPATH), cuja presidência era então de Jaques Gomes de Jesus e Alysson Brian Krüger, que se apresenta como Alícia Krüger. Krüger tem formação em Farmácia mas hoje, de acordo com seu Lattes, faz doutorado em Endocrinologia Clínica.

Aqui podemos ver Krüger ao lado de Carlos Firmino Faustino de Sousa (presidente da ANTRA, que se apresenta como Keila Simpson) e Jhonison Gurgel Batista (que se apresenta como Bruna Benevides), o inventor de dados fantasiosos que destrinchamos em Outubro do ano passado.

Note-se que essas informações extras são apresentadas a título de clareza, para que quem nos acompanha possa checá-las e entender que todas essas pessoas estão conectadas, de modo circular. Por exemplo, Douglas Takeshi (Viviane Vergueiro) foi parte do Grupo Cultura e Sexualidade da UFBA (CuS – UFBA). Esse grupo se tornou o Núcleo de Pesquisa e Extensão em Culturas, Gêneros e Sexualidades (atualmente chamado de NuCus, mais um trocadilho intelectual), que é liderado por Leandro Colling. Leandro é o mesmo que no ano passado, junto a Jaques de Jesus, tentou desautorizar a Doutora Jan Alyne, quando Jan foi perseguida e acusada de crimes inafiançáveis por Luis Felipe dos Reis Pinheiro / Felipe del Reis (que se apresenta como Liz Reis). Ainda no ano passado, Jaques esteve investido na defesa de Andrey Lemos, o servidor público do Ministério da Saúde que contratou um travesti para fazer danças sensuais num evento oficial do governo. O grupo, “Casa Onijá”, já havia dançado anteriormente num evento oficial para Felipe Santos Silva, que se apresenta como Erika Hilton.

O fio da meada infelizmente é todo embolado, o que acontece de propósito. Apresentamos suas identidades, todas públicas, porque não temos obrigação de participar da fé ou auto-ficção alheia, e para reforçar a confusão gerada com a troca de nomes, já que informações públicas sobre os indivíduos geralmente desaparecem com essa mudança.  

Essas pessoas estão unidas por uma idéia principal, de que o sexo das pessoas pode ser mudado, e que elas são do sexo que alegam ser. A idéia de que qualquer homem que alegue ser uma mulher, seria de fato uma mulher (e vice-versa).

Na defesa estapafúrdia de que a realidade observável seria moldável, o discurso frequentemente utiliza termos mal definidos, como “gênero”, que ora significa comportamento, ora significa sexo, ora significa os dois. Embora falem em “gênero” e “identidade de gênero”, as alterações médicas são em maioria de caráter sexual, com o objetivo de emular características físicas do sexo oposto (por exemplo, de que um homem se pareça com uma mulher). Isso mesmo que você leu: as mesmas características físicas que dirão que não são importantes nem definidoras do sexo de alguém.     

Com essa explicação dada, voltamos ao Encontro da WPATH. De acordo com o Governo do Estado de São Paulo, seu objetivo era:

“(…) promover a atualização e discussão de boas práticas em saúde voltada à população (…)  trans, (…) proporcionar um amplo ambiente de discussão multiprofissional de promoção de boas práticas de cuidados à saúde das pessoas trans e o enfrentamento da transfobia, além de reunir as representações das comunidades trans e profissionais da saúde para a criação da Associação Brasileira de Saúde Trans (Brazilian Professional Association for Transgender Health – BRPATH).” 

Ou seja, a ideia era avançar com as orientações da WPATH a respeito do tratamento dessas pessoas, e avançá-las a ponto de criar uma sucursal Brasileira, a BRPATH.

A Agência AIDS escreveu sobre o evento e quotou Sam Winter, um dos membros da WPATH:  

“Os diagnósticos da homossexualidade como doença agravam os problemas das pessoas, diz ele. Principalmente quando suas opções sexuais se tornam públicas, sem que tenham escolhido isso. Para ele, a questão é de identidade de gênero, e não de saúde mental. Desse ponto de vista, a compara com a identidade étnica, que ninguém – diz – trata como doença. Mas a questão é semelhante, pensa. Essa identidade se define na criança ainda antes da puberdade, diz. E elas precisam compreender que não há nada de errado nisso; não é doença. Por isso precisam receber carinho, apoio e compreensão; precisam ser preparadas para enfrentar as adversidades que encontrarão ao longo da vida. É preciso, diz, eliminar a ideia de ‘que a opção de gênero seja doença.” 

Como sempre frisamos, esse tipo de fala é propositalmente confusa e mistura casualmente a atração sexual com a defesa da auto-identidade como se as duas fossem ligadas, ou tivessem alguma co-dependência. Mas elas não têm, pois uma trata de atração sexual, que se comprova o tempo todo, quando duas pessoas se relacionam; enquanto a outra trata de ficções pessoais, subjetivas e para as quais não existe prova. Lembrem-se de que a atração sexual não é uma doença, não precisa de cura, também não precisa de nenhum acompanhamento ou alteração psicológica, medicamentosa, hormonal ou cirúrgica. 

O que Winter está dizendo, no fim, é que existe quase que um essencialismo em quem alega não ser do próprio sexo. Segundo ele, as pessoas se comportam de determinada maneira porque é assim que suas auto-percepções se fixam durante a infância. Winter também diz que essa suposta compreensão de si mesmo como alguém pertencente a outro sexo (ou seja, a outro corpo) não é uma doença. Esta é uma análise curiosa, já que ao contrário da atração sexual, a auto-identidade precisa de acompanhamento e alterações psicológicas e/ou medicamentosas e/ou hormonais e/ou cirúrgicas. É interessante que tantos aspectos psicológicos e físicos precisem ser corrigidos de forma invasiva, muitas vezes sob ameaça de suicídio, mas que mesmo assim não se trate de uma doença.  

Nós não temos como saber muito sobre o encontro da WPATH no Brasil, até porque vários dos links a respeito do encontro não funcionam mais. Mas com o vazamento, pudemos dar uma olhada em situações e práticas que a WPATH considera normais, aceitáveis ou mesmo procedurais e gostaríamos de registrar algumas das que foram selecionadas, porque considerando sua ampla aceitação entre os profissionais, temos motivos para desconfiar que possam ter sido importadas para o Brasil. 

“Fiquei muito surpreso ao descobrir que diversos dos meus clientes se encaixavam nos critérios de transtornos dissociativos, principalmente de Transtornos Dissociativos Não Especificados. Estou me perguntando se outros de vocês perceberam incidentes de Transtornos Dissociativos Não Especificados e de Transtorno Dissociativo de Identidade entre seus clientes (…)”

“Eu entendo que para as cirurgias estéticas superiores a saúde mental e física precisa estar razoavelmente bem controlada, e que para a cirurgia genital, todas as questões devem estar bem controladas, de acordo com o SOC 7. No entanto, a definição do que é “razoavelmente bem controlado” e o que é “bem controlado” não está clara. Até onde eu entendo é um julgamento clínico e se tenho dúvidas entre as duas coisas me consulto com meus mentores na WPATH (…) 

Uma pessoa pode ter esquizofrenia e estar pronta para a cirurgia, é só uma questão de ver quais são as preocupações, e comunicar essas preocupações. (…)”

Não acreditamos que o avanço da ideia de que “menores podem dar consentimento” seja uma coincidência. Para melhor entendimento indicamos esse vídeo curto da Reduxx, que no ano passado expôs que diversos homens ligados a WPATH tinham outro tipo de interesse em crianças e práticas mutiladoras. 

No contexto desse excerto, é claro que os especialistas estão falando de consentimento médico para operações. Mas no conceito maior, exposto pela Reduxx, esse tipo de violação planejada da consciência, compreensão e corporalidade de menores não deveria ser ignorado. Menores precisam ser tutorados, eles não possuem autonomia corporal.    

“Acho que devemos rejeitar o argumento de que o consentimento é impossível para um menor de idade”. 

(…)

“Tenho mais sucesso com a dilatação quando o paciente tem 16 ou 17 anos”.

Christopher McGinn é um cirurgião que aqui se apresenta como Christine N. McGinn. Ele é o mesmo que deseja que menores possam dar consentimento para operações.  Ele diz aqui: 

“Olá

Já operei 3 pacientes com Transtorno Dissociativo de Identidade. 2 deles tinham se auto-diagnosticado e possuíam o carimbo de um terapeuta (…)”

“Com um dos meus clientes que tinha Transtorno Dissociativo de Identidade tive que trabalhar o consentimento para a hormonização antes de começarmos. Ele tinha alteregos que eram tanto masculinos quanto femininos e era muito importante que todos os que iam ser afetados pela mudança concordassem com a hormonização. Eticamente, se você não conseguir consentimento de todos os alteregos você não conseguiu consentimento de verdade, e isso deixa brecha para um processo posterior, caso eles decidam que a cirurgia não era de seu interesse.”

Os arquivos da WPATH não nos chocam. Nós sempre soubemos que pessoas mentalmente instáveis e intelectualmente incapazes estavam sendo empurradas para hormonização e cirurgias estéticas. As perguntas a se fazer são, o que é que os apoiadores acharam que estava acontecendo? O que acharam que aconteceria se cortassem os seios saudáveis de uma paciente com Diabetes tipo 1? Por que, em qualquer momento, isso pareceu uma boa idéia? Estão surpresos agora, que uma paciente de 16 anos que toma testosterona sintético desenvolveu tumores no fígado? Por que acharam que o resultado seria bom? Por que é que profissionais de saúde estão falando casualmente que menores podem “dar consentimento”? Por que estão chamando pacientes de clientes? Quanto dessa onda chegou ao Brasil?

Todas as pessoas que alegam ser progressistas mas que abraçaram as auto-identidades porque, em sua preguiça, as confluíram ou confundiram com homossexualidade, são culpadas desses absurdos. Todas as pessoas que apoiam cegamente esse movimento equivocado têm culpa nessa história. 

Surpreendentemente, para mostrar que até relógio parado é capaz de acertar as horas: quando um homem disse a um dos médicos que gostaria de experimentar a lactação, seus colegas tiveram um lampejo ético. Os erros são graves, mas é um alívio que os profissionais da WPATH não tenham incentivado pessoas do sexo masculino a produzir galactorréia (e posteriormente amamentar)… Não é mesmo, O Joio e o Trigo?  

De fato, em todos os arquivos, o único momento em que os membros da WPATH expressam preocupação com relação aos potenciais perigos e efeitos adversos de um procedimento médico foi em uma conversa envolvendo um homem interessado em lactação induzida por hormônio apenas para experimentá-la, sem intenção de amamentar um bebê.

De acordo com as informações fornecidas, o paciente parece estar mentalmente bem, mas seu médico descreveu que tinha problemas éticos com o pedido, pois não era isento de riscos.

As respostas ecoaram as preocupações do médico, com um deles chamando a solicitação de antiética porque era uma “intervenção médica desnecessária” e um especialista em ética de São Francisco chamando o motivo da intervenção de “questionável”. Uma especialista em ética lembrou ao médico que ele é um profissional “a quem a sociedade concede certos privilégios” em troca de seu “uso prudente dos recursos” e de seu “compromisso com intervenções em que os benefícios superem os riscos e que ele deveria, ao menos, ‘não causar danos’”.

“Entendo o desejo do seu paciente de experimentar a lactação como uma função de sua feminilidade”, continuou a especialista em ética. “Mas esse é um motivo insuficiente, em minha estimativa, para intervir medicamente.” Embora essa especialista em ética médica não seja obrigada a comentar em todas as postagens no fórum, é revelador o fato de ela não aparecer em nenhuma das discussões sobre como permitir que pessoas com doenças mentais graves dêem consentimento para a operação de vaginoplastia ou em tópicos sobre a criação de segundos conjuntos de órgãos genitais para pessoas que se identificam como “não binárias”, lembrando aos cirurgiões do WPATH para não causar danos. Ela também não comenta em tópicos de mensagens sobre intervenções drásticas com hormônios para menores que os deixarão anorgasmáticos para o resto da vida, lembrando aos médicos do WPATH que os benefícios devem superar os riscos. Em comparação, o pedido do homem para induzir a lactação apenas para experimentá-la é trivial.

No fundo, o ativista das causas animais e ex-corinthiano Eduardo Salabert Rosas Júnior, que se apresenta como Duda Salabert. Na frente, Alysson Brian Kruger, presidente da BRPATH. Salabert foi convidado recentemente pelo podcast Prato Cheio (d’O Joio e o Trigo) para falar sobre “lactação” em pessoas do sexo masculino.  

Para terminar, queremos deixar uma reflexão porque não achamos que a análise desses arquivos será bem focada, considerando que tratamos de violações diretas de pacientes, muitos neuroatípicos e/ou crianças. 

A indústria tabagista é a responsável pelas doenças induzidas pelo cigarro, um produto desnecessário e que deixa as pessoas viciadas. Mas elas precisam buscar o cigarro para adquirir o vício, elas precisam comprar e fumar. Ao mesmo passo que são vítimas, que a indústria tem de ser responsabilizada, as pessoas buscaram o cigarro. Não é segredo que o cigarro faz mal para a saúde, e nós aqui não somos contra o consumo de cigarros. O que estamos dizendo é que não queremos fumar de segunda mão. Não queremos ser vítimas daqueles que inicialmente procuraram fumar.      

Só existe uma vítima perfeita, e são as pessoas que estão dizendo que não querem ter a ver com isso e estão sendo ignoradas. Voltemos a Jaron Bloshinksy (Jazz Jennings), o jovem que foi operado pelo presidente da WPATH. Esse rapaz foi vítima de Marc Bowers, foi vítima de todos os médicos e terapeutas com quem se consultou, foi vítima de pais estranhíssimos. Mas numa coisa concordamos com Bowers, algo que lemos nos arquivos: é preciso ter alguma responsabilidade. Ao mesmo tempo em que Bloshinsky é vítima, ele insistia em ser operado, insistia que seu pênis poderia, magicamente, “se tornar uma vagina” e que isso finalmente faria dele uma mulher. Bloshinksy hoje tem 24 anos e estuda em uma das mais importantes universidades do mundo, ele já teve tempo para entender que é impossível que um homem se torne uma mulher. Todo mundo sabe que isso é impossível, assim como todo mundo sabe que a terra é redonda.

É importante lembrar que a maioria das mulheres e meninas do mundo não está buscando “mudar de sexo”, mas todas estão tendo seus direitos violados por homens que alegam ser mulheres, mesmo que eles também sejam vítimas da indústria médica. Se William Thomas, o nadador que se apresenta como Lia Thomas resolver amanhã que “não é mais mulher”, ainda assim os direitos de nadadoras americanas foram atropelados, incluindo aí o direito à privacidade. O mesmo aconteceu com Bloshinsky, na escola e agora na universidade. E isso aconteceu também com as milhares de mulheres e meninas desconhecidas, vítimas de segunda mão dessa loucura narcisista. 

Devemos denunciar os responsáveis mais ativos por essa epidemia social. Mas o foco deve ser os direitos das mulheres, não as violações secundárias. Mesmo porque, apesar das violações escandalosas e da falta de ética, milhares desses clientes estão em público se dizendo perfeitamente satisfeitos com suas alterações estéticas. Por outro lado, se os homens não tiverem apoio legal para mentir que não são homens, ou de mentir que são mulheres (e vice-versa), todas as outras violações caem por terra.

WPATH, escândalo médico e ligações com o Brasil
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